segunda-feira, 25 de outubro de 2010

DOM ODELIR MAGRI - Bispo da Diocese de Sobral




A Paróquia São Domingos encontra-se em festa, nossos corações estão radiastes com a notícia que chegou... nosso querido Pe. Odelir foi nomeado  Bispo da Diocese de Sobral. Desejamos ao Dom Odelir José Magri muita luz e paz! 

Apresentamos agora a entrevista do Dom Odelir José Magri realizada pelo jornal Expresso do Norte.  

“Enquanto não houver maior igualdade de oportunidade e partilha dos bens maiores da humanidade: terra, saúde, moradia, educação, trabalho e informação, haverá sempre exclusão e violência, porque não haverá justiça”.
“Chegarei disposto a conhecer esta nova realidade com um coração missionário”


EXPRESSO – Como o senhor recebeu a notícia de sua nomeação para bispo da diocese de Sobral, na zona Norte do Ceará?
DOM ODELIR – Na minha carta de primeira saudação ao Povo de Deus de Sobral, já tive a oportunidade de dizer. Confesso que a notícia da minha nomeação como bispo desta diocese, suscitou em mim muitas perguntas. Não é o caso de repeti-las outra vez aqui, mas a primeira pergunta que fiz ao Cardeal foi: Mas Excelência, porque eu? E mesmo se ainda não tenho muitas respostas, aquilo que me deixa sereno e confiante é a certeza de ter sido escolhido e enviado para Sobral como pai e pastor desta Igreja. Este é um ponto de força para mim diante desta nova missão e responsabilidade que me foi confiada. Aos poucos vou recebendo informações e fazendo contatos com algumas pessoas da diocese. Neste domingo (dia 17) esteve me visitando aqui na casa geral dos Combonianos, em Roma, o padre Agnaldo que está estudando direito canônico aqui em Roma. Ao encontrá-lo, fiquei emocionado, porque foi o primeiro filho da diocese de Sobral e dos nossos sacerdotes que tive a alegria de conhecer pessoalmente. Das visitas que fiz nos últimos anos aos Missionários Combonianos do Brasil Nordeste, sei que o povo desta terra é muito acolhedor. Neste sentido a minha primeira impressão foi de reviver a experiência da África, seja pelo clima, pela forte presença de afro-descendentes, pela capacidade de acolhida e a alegria de viver deste povo. Enfim, estou certo de que Sobral me fará reviver os belos tempos da minha vida missionária africana e de hoje em diante a diocese de Sobral será a minha África e paixão missionária.
EXPRESSO – Quando será sua posse? Quando o senhor estará em Sobral?
DOM ODELIR – A minha sagração e posse estão marcadas para o dia 12 de dezembro, festa de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina. Neste sentido gostaria de lembrar aqui algumas coincidências ligadas à minha nomeação, que numa visão de fé se revelam significativas para mim. O cardeal Ouellet Marc, prefeito da Congregação dos Bispos, me convocou no Vaticano no dia 27 de setembro quando fui oficialmente informado da decisão do Santo Padre. À noite fui na capela rezar um pouco e colocar nas mãos de Deus a notícia que havia recebido. Durante a minha oração lembrei-me que no dia 27 de setembro de 1991 eu fazia os meus Votos Perpétuos no Santuário de Marguerite Maria Alacoque, na França. Que surpresa e feliz coincidência! No dia 10 de outubro nós missionários combonianos celebramos a festa solene do nosso pai e fundador São Daniel Comboni. No dia 11 de outubro foi publicada oficialmente a minha nomeação e no dia seguinte, 12 de outubro, celebramos a festa de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Enfim, para completar tantas bênçãos e graças, a minha sagração e posse foram marcadas para o dia 12 de dezembro próximo, festa de Nossa Senhora de Guadalupe. Me sinto rodeado e próximo de tantos valiosos protetores. Ainda não fixei a data da minha saída de Roma, porque estou finalizando algumas atividades e compromissos que tenho com o conselho geral dos combonianos. Deverei fazer também um mínimo de introdução do meu sucessor come vigário-geral do Instituto, e a minha previsão é de poder viajar para Sobral lá pela metade de novembro.
EXPRESSO – Quais os novos desafios como bispo?
DOM ODELIR – O primeiro é sem dúvidas aquele de chegar à diocese e dar tempo para conhecer e conhecer e conhecer esta nova realidade. Neste momento não saberia acrescentar outros desafios, simplesmente por falta de conhecimento de tal realidade. O que posso dizer é que chegarei disposto a conhecer esta nova realidade com um coração missionário, aberto ao novo e ao diferente. Na pequena apresentação que o Cardeal me fez da diocese lembro que uma de suas recomendações foi de dar uma atenção especial aos meus primeiros e diretos colaboradores, os sacerdotes da nossa diocese, procurando ser pai e pastor e cuidando da formação permanente deles. Outras coisas veremos com calma, pois a cada dia basta a sua pena.
EXPRESSO – Depois de sua ordenação de padre em 1992, o senhor foi destinado à missão comboniana na República Democrata do Congo, África. Como tem sido sua trajetória na Igreja Católica a partir destes dois acontecimentos?
DOM ODELIR – A experiência da ordenação sacerdotal foi uma experiência marcante e que deixou um carimbo particular na minha vida. Por mais que se procure entender e explicar, há algo que permanece como parte do mistério de cada vocação. O momento mais marcante para mim daquele dia 17 de outubro de 1992 foi quando me prostrei no chão para a litania e invocação dos santos. É uma experiência que ficou impressa no meu coração e que oportunamente tenho revisitado, especialmente nos momentos mais críticos e difíceis da minha vida. Em seguida realizei o sonho de partir para a África. A experiência missionária do Congo foi outro evento marcante na minha vida. Sacerdote recém-ordenado, cheio de entusiasmo, força, sonhos e ilusões eu havia feito o pedido para ir a Moçambique, mas os superiores me enviaram para um país da África francófona. Aceitei a decisão sem maiores problemas. A missão no Congo foi uma das experiências mais duras e difíceis que vivi nos meus 18 anos como missionário comboniano. O encontro com outra cultura (culturas), outras línguas, experiência de Igreja diferente, realidade social-política e econômica e sanitária muito difíceis, somados às primeiras crises de malária, foram uma prova de fogo para mim. Para simplificar, posso dizer que a experiência do Congo me ensinou que cada realidade é rica de novas possibilidades, de desafios, alegrias, renúncias e sofrimentos que nos desafiam a recomeçar sempre de novo. E assim foram os anos sucessivos da minha aventura missionária. Voltei do Congo para o Brasil em novembro de 1996, trabalhei na equipe de formação do teologado em São Paulo, ao mesmo tempo em que era o responsável da Área pastoral São Sebastião, zona Leste de São Paulo. Alguns anos depois fui transferido para Nova Contagem, Minas Gerais, como padre mestre dos noviços combonianos. Em 2003 fui eleito conselheiro-geral do Instituto, como representante dos países da America do Sul (Brasil, Peru, Chile, Equador, Colômbia e America Central) e da África francófona (República Democrática do Congo, Togo-Gana e Benin, Chad e República Centro-Africana). Em outubro do ano passado fui reeleito conselheiro-geral e nomeado vigário-geral do nosso Instituto. Continuei como responsável da America Latina e mais a Cúria geral, os combonianos da Polônia e da comunidade de Paris. Enfim, do dia 11 de outubro 2010, abriu-se uma nova página no livro da minha vida e missão, como pastor da diocese de Sobral. Eu diria que agora chegou o momento de armar a tenda e criar raízes.
EXPRESSO – O senhor é vigário-geral em Roma da Congregação dos Combonianos. Quais os princípios fundamentais desta comunidade fundada por São Daniel Comboni?
DOM ODELIR – São Daniel Comboni nasceu em Limone, Itália, no dia 15 de março de 1831. Em 10 de outubro de 1881 morreu em Cartum (Sudão) consumido pela fadiga e pelas febres com apenas 50 anos de idade. No seu leito de morte seu grito ecoou: “Eu morro, mas a minha obra não morrerá”. Em 1867 havia fundado os Missionários Combonianos, sob o título de “Instituto para as Missões da Nigrízia” e em 1872 as Irmãs Missionárias Combonianas. No dia 17 de março de 1996 foi beatificado , e no dia 5 de outubro de 2003 foi proclamado santo pelo papa João Paulo II. Hoje seus missionários e missionárias continuam a obra por ele iniciada. Também fazem parte desta família as Missionárias Seculares e os Leigos(as) Missionários Combonianos. Fiéis ao carisma e espiritualidade do Fundador, que no mistério do Coração de Jesus encontrou o ardor para o seu generoso compromisso missionário, os Missionários Combonianos e a Família Comboniana inserem-se na atividade evangelizadora da Igreja, que constitui a finalidade única e exclusiva da Congregação, difundindo a Boa Nova do Evangelho entre os povos ou grupos humanos ainda não ou não suficientemente evangelizados. Os princípios fundamentais da comunidade comboniana estão sintetizados na grande inspiração e plano de Comboni para regeneração da Nigrízia de 1864 – “Salvar África com a África”, e hoje se diria, Salvar a África com os africanos. Expressão de uma Igreja itinerante que vai ao encontro dos povos e culturas além-fronteiras. Um outro princípio fundamental do carisma combomniano é a dimensão da animação missionária. Formar e despertar a consciência das Igrejas locais para a sua vocação missionária universal, “ad gentes”. Foi assim que tendo encontrado os combonianos e Comboni, eu pude um dia deixar o Brasil e partir para a África. Hoje sei que este dom e presente que recebi de Deus me impulsiona a trabalhar para que outras pessoas possam viver o mesmo chamado e experiência.
EXPRESSO – Quais as áreas de atuação da Congregação e que projetos são desenvolvidos hoje pelos padres e irmãos missionários?
DOM ODELIR – Hoje o Instituto Comboniano é formado por 1.700 missionários (sacerdotes e irmãos, profissionais consagrados) presentes em quatro continentes – África, América, Europa e Ásia, unidos pelo mesmo ideal de evangelização. Nos últimos anos os combonianos buscam também responder ao apelo lançado pela CNBB aos Institutos missionários, isto é, dar uma atenção especial às necessidades e desafios da Igreja no contexto da Amazônia. Em síntese, a tarefa e missão principal do Instituto é a evangelização, o anúncio do evangelho aos mais pobres e abandonados, com uma atenção especial para os povos afros e indígenas no contexto da América Latina, a realidade das grandes periferias, a formação de lideranças e o mundo dos jovens e a paz, justiça e integridade da criação. Enfim, a animação missionária da igreja local e a formação de novos missionários e leigos(as) para a igreja no Brasil e no mundo é outro pilar da nossa missão.
EXPRESSO – Na sua avaliação, como podemos situar a violência, a fome e outras formas de exclusão social na realidade social do povo brasileiro?
DOM ODELIR – Na minha opinião as situações de exclusão, de miséria e de violência são na verdade sintomas e consequências de um certo tipo de projeto de sociedade que no seu DNA comporta discriminação e exclusão porque na verdade não coloca a pessoa humana como valor central, mas o interesse e o lucro. Ter sempre mais em lugar de ser sempre mais. A prova mais evidente que em nome do Evangelho de Jesus Cristo somos chamados a sonhar e trabalhar por uma comunidade humana mais justa, igualitária e fraterna, é o sangue derramado pelos nossos mártires. Como não lembrar, por exemplo, o pe. Ezequiel Ramin, missionário comboniano, mártir da causa indígena em Cacocal, Rondônia, em 1985; e com ele irmã Dorothy e tantos trabalhadores(as) que sacrificaram a própria vida alimentados pela força da fé e acreditando na construção de um mundo mais justo e fraterno, onde todos tenham vida e vida em abundância (Jo 10,10). Enquanto não houver maior igualdade de oportunidade e partilha dos bens maiores da humanidade: terra, saúde, moradia, educação, trabalho e informação, haverá sempre exclusão e violência, porque não haverá justiça.
EXPRESSO – Como a Igreja Católica pode trabalhar a formação das pessoas, de acordo com os valores evangélicos e éticos, como forma de incentivar a cultura da paz?
DOM ODELIR – Como Igreja somos chamados, portanto, a anunciar Jesus Cristo, fonte de vida digna para todos, comunhão e solidariedade. Na dimensão social seguimos as diretrizes fundamentais da Doutrina social da Igreja, tendo sempre presente o bem integral e total de cada pessoa. Investir no campo da formação das pessoas em todos os níveis e segundo os valores evangélicos e éticos é para mim o caminho a ser trilhado e sempre reforçado. Uma formação que ajuda a tomar consciência e reforçar em cada pessoa as suas motivações humanas e cristãs mais profundas do que significa dar um sentido à própria vida participando da construção de uma sociedade mais humana, justa e fraterna, alicerçada nos valores evangélicos do bem comum, da corresponsabilidade, do respeito e valorização das diferenças e igualdade de oportunidade para todos.
EXPRESSO – Dom Odelir, qual a sua mensagem para a comunidade católica da diocese de Sobral?
DOM ODELIR – Aos filhos e filhas de Deus da diocese de Sobral vai em primeiro lugar o meu sincero afeto de pai e pastor. Um obrigado de coração a todos e todas pela manifestação de acolhida e de carinho que tenho recebido depois da minha nomeação. A cada dia que passa sinto mais presente a força das palavras de boas vindas do pe. Nonato Timbó: “Bendito aquele que vem em nome do Senhor”. Enfim, finalizo com as palavras do Santo Padre na sua mensagem para o dia mundial das missões: “O cristianismo não é uma ideologia, é mais bem uma experiência de encontro vital com Cristo, o Filho de Deus vivo. Somente a partir deste encontro com o Amor de Deus, que transforma a nossa via, podemos viver em comunhão com Ele e entre nós, e oferecer aos nossos irmãos e irmãs um testemunho contagiante e capaz de dar razão da nossa Esperança”. (Bento XVI, mensagem para o dia mundial das missões 2010). Unidos na oração, recebam o meu forte abraço e a minha benção em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Até breve! A presto!

SEMANA SOCIAL 2010


A fé que gera a Vida

 

Paróquia São Domingos
Pastorais Sociais

A convite da CNBB, a Igreja do Brasil realiza a cada ano a Semana pela defesa da Vida. Somos chamados a escolher, proteger e promover a Vida, a exemplo de Jesus Cristo que veio “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10.)

O papa Bento XVI em sua Encíclica “Caritas in Veritate” nos recorda a importância de preservar a vida e o meio ambiente do planeta Terra, que é nossa casa comum (cf n. 48-50). Cuidar da vida inclui respeitar a natureza, questão de justiça e solidariedade para com todos os seres que povoam a Terra e para as futuras gerações.

Com o desejo de debater temas relacionados à vida da nossa comunidade realizaremos a primeira  Semana Social em defesa da Vida  aqui da região nos dias 18, 19 e 20 de novembro de 2010.   Este evento é fruto da organização das Pastorais Sociais e quer envolver a comunidade para que juntos possamos seguir em nosso compromisso de amar e encaminhar a Vida num mundo de paz e esperança.

Para mais informações entre em contato:

Casa Comboniana Justiça e Paz
Rua VC3, 605
Fone: 3356 8576
De terça a sábado das 14 às 18 hs

casacombonianajp@gmail.com   


Participe!




Abraços, 
Lucineia Silva